Diabetes Mais · versão para médicos e farmacêuticos
Este conteúdo é destinado a médicos e farmacêuticos (profissionais da saúde prescritores).
O curso traz informações técnicas sobre diagnóstico e tratamento do diabetes, inclusive sobre medicamentos, e não se destina ao público em geral.
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Diabetes Mais
Um curso sobre diabetes mellitus tipo 2 feito para médicos e farmacêuticos que atendem esses pacientes no dia a dia, mesmo sem ser especialistas.
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Conteúdo aberto, com textos, infográficos, vídeos e um quiz ao fim de cada módulo teórico.
Um curso desenvolvido pela CoreBox.
O curso
São cinco módulos teóricos, com textos, infográficos e vídeos, cada um fechado por um quiz.
Textos
Direto ao ponto, com os termos-chave destacados em ouro.
Infográficos
Epidemiologia, sintomas e exames em uma imagem.
Vídeos
Animações curtas que abrem cada assunto.
Quiz
Perguntas no fim de cada módulo teórico, com correção na hora.
Epidemiologia, patofisiologia e genética
Diabetes no mundo, tipos, sintomas, o Octeto de DeFronzo, exames e herança genética.
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O conteúdo do curso foi especialmente desenvolvido para médicos e profissionais de saúde que atendem pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2), mas que não são necessariamente especialistas.
No DIABETES MAIS você terá acesso a conteúdos na forma de textos, imagens, infográficos e vídeos. Ao final de cada módulo teórico, você deverá responder a um quiz com algumas perguntas sobre o que foi visto até aquele momento.
O curso é composto por 5 (cinco) módulos teóricos, divididos em:
- MÓDULO 1: epidemiologia, patofisiologia e genética
- MÓDULO 2: fatores de risco, prevenção, rastreamento e diagnóstico
- MÓDULO 3: manejo e diretrizes
- MÓDULO 4: dapagliflozina
- MÓDULO 5: complicações e encaminhamento
Para começar o MÓDULO 1, assista ao vídeo introdutório ao diabetes mellitus abaixo.
Bom curso a todos!
Diabetes no mundo
A previsão da International Diabetes Federation (IDF) é que o DM2 cresça em todas as regiões do mundo até 2045.

Abaixo há um infográfico sobre a epidemiologia do diabetes mellitus no mundo, com dados completos de todos os continentes e o aumento projetado no número de casos.

A seguir, vamos apresentar uma animação explicando um pouco mais sobre a presença do diabetes mellitus 2 no Brasil e no mundo.
Tipos de diabetes
Como falamos no vídeo anterior, são três os principais tipos de diabetes:
Diabetes tipo 1
Tipo que acomete principalmente crianças e adolescentes sem excesso de peso. Segundo o Ministério da Saúde, na maioria dos casos, a hiperglicemia é acentuada (grave), a qual evolui rapidamente para cetoacidose, especialmente na presença de infecção ou outra forma de estresse.
Diabetes tipo 2
Costuma ter sintomas mais brandos - como veremos mais adiante. Manifesta-se, em geral, em adultos com longo histórico de excesso de peso e com histórico familiar de DM2.
Diabetes gestacional
Segundo o Ministério da Saúde, esse é um estado de hiperglicemia menos severo que os tipos 1 e 2, sendo detectado pela primeira vez na gravidez. Geralmente se resolve no período pós-parto, porém, pode retornar anos depois.
No vídeo a seguir falaremos mais sobre o diabetes tipo 2, que é o foco do nosso curso.
Sintomas
Quais são os sintomas do diabetes?
O diabetes, na maioria dos casos, não causa sintomas nos pacientes.
Se o diabetes não causa sintomas, como se explica que alguns pacientes apresentam visão borrada, diminuição de sensibilidade nas mãos e pés, dentre outros sintomas?
O que acontece é que, quando não se faz o diagnóstico precoce através do rastreamento, acaba-se diagnosticando o diabetes tardiamente. Nesse caso, os sintomas relatados pelos pacientes são SINTOMAS DE HIPERGLICEMIA DESCOMPENSADA, conforme observado na figura abaixo:

Patofisiologia do diabetes
O diabetes tipo 2 é caracterizado por múltiplas anormalidades patofisiológicas. Vejamos a seguir quais são elas, chamadas coletivamente de "Octeto" (DeFronzo, 2013). Toque em cada peça para ver qual é.
0 de 8 peças abertas
Exames
Os exames relacionados de maneira mais relevante com o diabetes são os de funcionalidade para identificação de hiperglicemia, incluindo a glicemia plasmática de jejum, o teste de tolerância oral à glicose (TOTG) e a hemoglobina glicada (A1c/HbA1c), como melhor explicado na figura abaixo.

Veremos os exames mais detalhadamente no módulo a seguir.
Genética
O diabetes tipo 2 é determinado de uma maneira complexa por uma relação entre ambiente e predisposição genética, sendo o ambiente com maior relevância no desenvolvimento da doença. Entretanto, deve-se levar em consideração alguns importantes dados genéticos para compreender a origem e a possível evolução da doença, pois a herança genética pode aumentar o risco de desenvolvimento da DM2. Ou seja, se o pai ou a mãe (ou ambos) tiverem a condição, maiores são as chances do paciente também ter DM2.
No infográfico abaixo falamos um pouco mais sobre essas possibilidades e o risco associado a elas.

No módulo seguinte veremos a fundo os principais fatores de risco (modificáveis e não modificáveis) do diabetes tipo 2.
Resumo
- Introdução: Diabetes mellitus é uma condição crônica, na qual há um conjunto de alterações metabólicas caracterizadas por elevados níveis de glicose no sangue, quando existe uma deficiência relacionada à insulina. O diabetes mellitus pode causar diversas complicações a longo prazo, incluindo no coração, nos olhos e rins e nas células sanguíneas e nervosas, o que leva, por vezes, a altos custos médicos, redução na qualidade de vida e mortalidade.
- Epidemiologia: De acordo com a International Diabetes Federation (IDF), cerca de 537 milhões de pessoas têm diabetes no mundo, e estima-se que quase metade não sabe que tem a doença. O Brasil está em sexto lugar no ranking mundial de diabetes mellitus, com cerca de 15,7 milhões de pessoas com a doença, sendo 5 milhões (31,9%) não diagnosticadas.
- Diabetes tipo II: O diabetes tipo 2 é o mais comum entre os tipos de diabetes (90% a 95% dos casos), sendo causado pela ineficiência, ou resistência, no uso da insulina pelo corpo. É considerado uma doença multifatorial, tendo que ser observados a predisposição genética, a idade avançada, o sedentarismo e o excesso de peso. Este último fator, no entanto, pode ser tratado com maior importância pois pode ser melhorado. A doença normalmente tem início insidioso e não sintomático.
- Fatores de risco: A obesidade também é um fator de risco pois está associada à resistência à insulina. Além disso, outro fator de risco é o histórico familiar. Caso a pessoa tenha um parente de primeiro grau diagnosticado com a doença, o risco de ela desenvolver diabetes aumenta significativamente.
- Sintomas: Os principais sintomas da hiperglicemia descompensada são: sede; cansaço; perda de peso não intencional; visão embaçada; necessidade mais frequente de urinar; e infecções urinárias constantes.
- Patofisiologia do DM2: Em pacientes com diabetes tipo 2, observamos oito "componentes periféricos" que exercem influência na fisiopatologia: secreção de glucagon aumentada, reabsorção de glicose aumentada, lipólise aumentada, efeito incretínico reduzido, disfunção de neurotransmissores, captação periférica de glicose reduzida, PHG aumentada e secreção insulínica deteriorada.
- Exames e critérios: Os exames relacionados de maneira mais relevante com o diabetes são aqueles utilizados para identificar hiperglicemia, incluindo a glicemia plasmática de jejum, o teste de tolerância oral à glicose (TOTG) e a hemoglobina glicada (A1c/HbA1c).
Responda o quiz com 2 questões e veja a correção na hora.
Referências do módulo (10)
- International Diabetes Federation. IDF Diabetes Atlas. 2021. 10th. Disponível em https://www.diabetesatlas.org.
- Vigitel - Plataforma Integrada de Vigilância em Saúde - Ministério da Saúde [Internet]. Disponível em: http://plataforma.saude.gov.br/vigitel/
- Brasil chega a 9% da população adulta vivendo com diabetes [Internet]. Folha de S.Paulo. 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/04/brasil-chega-a-9-da-populacao-adulta-vivendo-com-diabetes.shtml
- DeFronzo RA, Eldor R, Abdul-Ghani M. Pathophysiologic Approach to Therapy in Patients With Newly Diagnosed Type 2 Diabetes. Diabetes Care. agosto de 2013;36(Suppl 2):S127–38.
- DeFronzo RA. Pathogenesis of Type 2 Diabetes Mellitus. Em: Bonora E, DeFronzo RA, organizadores. Diabetes Epidemiology, Genetics, Pathogenesis, Diagnosis, Prevention, and Treatment [Internet]. Cham: Springer International Publishing; 2018 [citado 2 de setembro de 2022]. p. 181–253. (Endocrinology). Disponível em: https://doi.org/10.1007/978-3-319-45015-5_8
- Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes - Ed. 2022 [Internet]. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes - Ed. 2022. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br
- Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 2. Nº 565. Outubro de 2020. Brasília/DF.
- Ali O. Genetics of type 2 diabetes. World J Diabetes. 2013 Aug 15;4(4):114-23. doi: 10.4239/wjd.v4.i4.114. PMID: 23961321; PMCID: PMC3746083.
- World Health Organization (10 Novembro 2021). Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/diabetes.
- Brasil. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus In: Básica. 36, ed. Brasília: Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica; 2013:160.
Quiz · Módulo 1
Responda as questões e confira a correção na hora.
Fatores de risco, prevenção, rastreamento e diagnóstico
Fatores de risco do diabetes tipo 2, obesidade e síndrome metabólica, teste de risco, cuidados na consulta inicial, rastreamento e critérios diagnósticos (PCDT e SBD).
FATORES DE RISCO
Como dissemos no início do curso, o módulo 2 tem o intuito de apresentar de forma mais aprofundada os fatores de risco associados ao diabetes tipo 2 e à síndrome metabólica. Aqui você encontra vídeos, infográficos e materiais explicativos. Vamos começar pelos fatores.
O diabetes tipo 2 não se desenvolve sem haver alguma condição: os chamados fatores de risco. Eles podem ser modificáveis - relacionados ao estilo de vida da pessoa - ou podem ser aqueles que envolvem histórico familiar, condições preexistentes ou diabetes gestacional. Confira na imagem abaixo:

A seguir, vamos falar mais a fundo de um dos fatores de risco modificáveis mais importantes: sobrepeso e obesidade.
OBESIDADE
A obesidade e o sobrepeso podem ser definidos como um acúmulo de gordura excessivo e prejudicial à saúde.
No Brasil, foi registrado um crescimento de diabetes e sobrepeso na última década (2011-2021), conforme observado nos gráficos abaixo.

Para a sua mensuração, é comumente utilizado o cálculo de IMC (Índice de Massa Corporal), podendo ser levada em conta a medida da circunferência da cintura. O IMC é calculado dividindo-se o peso pela altura da pessoa ao quadrado. A tabela abaixo mostra a interpretação dos resultados:
No entanto, a presença de obesidade abdominal está mais correlacionada com fatores de risco metabólicos do que com o IMC elevado. Segundo o National Cholesterol Education Program dos Estados Unidos, pacientes com a circunferência abdominal (CA) elevada podem ter forte contribuição genética para a resistência à insulina e devem buscar uma mudança no estilo de vida, para evitar síndrome metabólica e outras condições, como o diabetes.
As medidas da CA que apresentam risco aumentado são:
A seguir no curso, apresentamos uma calculadora de IMC para que você interaja e calcule quantas vezes quiser.
O aumento da gordura corporal, traduzidos na prática clínica pelo sobrepeso, obesidade e/ou aumento da circunferência abdominal, são fatores de risco para diversas doenças não transmissíveis, como o diabetes tipo 2, a qual está associada à resistência à insulina, envolvendo processos celulares de ácidos graxos livres, adipocinas e ativação de vias inflamatórias.
Em 2016, a OMS estimou que mais de 1,9 bilhão de pessoas com 18 anos ou mais no mundo estão acima do peso, e que, destas, 650 milhões estão com obesidade. Já com relação a crianças e adolescentes com idades de 5 a 19 anos, aproximadamente 340 milhões têm sobrepeso ou estão com obesidade.
Em 2019, estimou-se que 38,2 milhões de crianças com idades inferiores a 5 anos estão acima do peso no mundo.
Já no Brasil, é estimado que pelo menos 91 milhões de adultos tenham sobrepeso. Com relação às crianças menores de cinco anos, a prevalência de excesso de peso (sobrepeso e obesidade) foi de 10,1%.
Na figura abaixo, vemos parâmetros de obesidade (baseados no IMC) e como a proporção da cintura/quadril afeta o IMC e promove alteração no teste de tolerância à glicose.

A seguir, vemos a prevalência de diabetes tipo 2 conforme o grau de obesidade da pessoa.
| Para adultos | Prevalência de DM2 |
|---|---|
| IMC ≥ 25-29,99: sobrepeso | 15% |
| IMC ≥ 30-34,99: obesidade GRAU 1 | 23% |
| IMC ≥ 35-39,99: obesidade GRAU 2 | 33% |
| IMC ≥ 40: obesidade GRAU 3 | 43% |
SÍNDROME METABÓLICA
De acordo com o Ministério da Saúde, a síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco que se manifestam no indivíduo, aumentando as chances do desenvolvimento de doenças cardíacas, AVC e diabetes, tendo como base a resistência à ação da insulina. Por isso, também é chamada de síndrome de resistência à insulina.
Em razão dessa resistência, a insulina acaba agindo menos nos tecidos, e, como consequência, o pâncreas a produz mais, em um mecanismo compensatório, elevando o seu nível no sangue.
Para o diagnóstico - como a maioria se apresenta assintomático - são necessários que três ou mais dos fatores de risco a seguir estejam presentes no paciente, pois são indicativos de resistência à insulina.

O tratamento e a prevenção incluem a atividade física e a perda de peso, principalmente. Entretanto, pode ser necessário o uso de medicamentos para cuidar dos efeitos desses fatores de risco.
TESTE DE RISCO

Clique no símbolo 📎 no menu ao lado para baixar o Teste de Risco, assim, você pode utilizá-lo quantas vezes quiser.
CUIDADOS MÉDICOS
De acordo com o Caderno de Atenção Básica do Ministério da Saúde, na consulta inicial de pacientes adultos diagnosticados com DM2, o profissional precisará identificar os fatores de risco, avaliar as condições de saúde, estratificar, se necessário, o risco cardiovascular da pessoa, e orientar quanto à prevenção e ao manejo de complicações crônicas.
A consulta médica deverá incluir quatro aspectos fundamentais: história da pessoa, exame físico, avaliação laboratorial e estratificação do risco cardiovascular.
Clique nos boxes abaixo para saber mais!
- Histórico do paciente: identificação (sexo, idade, raça e condição socioeconômica); duração conhecida do diabetes e controle glicêmico; sintomas e sua evolução; avaliação dos fatores de risco (dislipidemia, tabagismo, sobrepeso, obesidade); perfil psicossocial (hábitos de vida e condição social); histórico familiar e médico anteriores; avaliação nutricional, medicamentosa e prática de atividade física.
- Exame físico: obtenção de medidas antropométricas (IMC e cintura abdominal), da pressão arterial e frequência cardíaca; ausculta cardíaca e pulmonar; exame nos pés, fundo dos olhos, neurológico e de cavidades orais.
- Avaliação laboratorial (exames de rotina): glicemia de jejum e HbA1c; colesterol total, HDL e triglicerídeos; creatinina sérica; exame de urina tipo 1; fundoscopia; exames de avaliação cardiovascular.
| Grupo | Item | ✓ |
|---|---|---|
| Histórico de diabetes | Quando e como descobriu o diabetes | ☐ |
| Histórico de diabetes | Histórico de diabetes tipo 2 em parentes de primeiro grau | ☐ |
| Histórico de diabetes | Histórico familiar de doenças autoimunes | ☐ |
| Histórico do paciente | Idade e sexo | ☐ |
| Histórico do paciente | Condição socioeconômica | ☐ |
| Histórico do paciente | Presença de comorbidades (sobrepeso, obesidade, hipertensão, dislipidemia) | ☐ |
| Histórico do paciente | Episódios de hipoglicemia | ☐ |
| Histórico do paciente | Presença de depressão, ansiedade ou transtornos alimentares | ☐ |
| Medicação | Regime de medicação atual | ☐ |
| Medicação | Hábitos de consumo de medicamentos | ☐ |
| Medicação | Intolerância e/ou efeitos colaterais a medicamentos | ☐ |
| Estilo de vida | Verificar prática de atividade física (frequência, tipo, local de prática, presença de supervisão profissional) | ☐ |
| Estilo de vida | Qualidade do sono | ☐ |
| Estilo de vida | Uso de álcool, tabaco e outras substâncias | ☐ |
| Aspectos sociais e comportamentais | Identificar a existência de apoio social/familiar | ☐ |
| Aspectos sociais e comportamentais | Familiaridade com dietas e/ou reeducação alimentar | ☐ |
| Exame físico | Medidas antropométricas (altura, peso e cintura abdominal) para obtenção de IMC | ☐ |
| Exame físico | Pressão arterial e frequência cardíaca | ☐ |
| Exame físico | Ausculta cardíaca e pulmonar | ☐ |
| Exame físico | Apalpamento da tireoide | ☐ |
| Exame físico | Exame de fundo de olho, pés e das cavidades orais | ☐ |
| Avaliação laboratorial | Glicemia de jejum e hemoglobina glicada (HbA1c) | ☐ |
| Avaliação laboratorial | Colesterol total, HDL e triglicerídeos | ☐ |
| Avaliação laboratorial | Creatinina sérica | ☐ |
| Avaliação laboratorial | Exame de urina tipo 1 | ☐ |
| Avaliação laboratorial | Exames de avaliação cardiovascular | ☐ |
| Avaliação laboratorial | Função hepática | ☐ |
Clique no símbolo 📎 no menu ao lado para baixar o checklist.
RASTREAMENTO
O rastreamento do diabetes tipo 2 para reduzir a progressão dos fatores de risco é essencial como forma de prevenção e auxílio no diagnóstico precoce. Os pacientes com DM2 que não são diagnosticados têm risco maior de acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e doença vascular periférica.
Para quem é recomendado o rastreamento?
O rastreamento em indivíduos assintomáticos está indicado em todos os adultos a partir dos 45 anos ou naqueles com sobrepeso ou obesidade (IMC ≥ 25 kg/m²) e mais um fator de risco para DM2, conforme apresentado abaixo. Se os exames estiverem normais, deve-se repetir o rastreamento a cada 3 anos.
Clique no símbolo 📎 no menu ao lado para baixar os critérios para rastreamento.
O objetivo do rastreamento é entender os riscos e tentar prevenir a doença. Para isso, entende-se o histórico do paciente, realiza-se o exame físico, a verificação da pressão arterial, a obtenção de dados antropométricos para cálculo de IMC e circunferência abdominal, além de avaliar-se as condições de saúde por meio de exames laboratoriais necessários que, num primeiro momento, será a glicemia de jejum (recomendação).
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
O diagnóstico do DM2 baseia-se na detecção da hiperglicemia. Para isso, existem critérios que podem ser utilizados para se chegar a uma conclusão sobre o estado do paciente. Vamos falar de dois deles: o PCDT - do Ministério da Saúde - e o da Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
Segundo o PCDT, são quatro critérios diagnósticos para se detectar o DM no paciente: glicemia de jejum, glicemia casual, teste oral de tolerância à glicose com sobrecarga de 75 g em duas horas (TOTG) e hemoglobina glicada (HbA1c). Os valores de glicemia para se determinar o diagnóstico pelo PCDT estão na tabela abaixo.
| Exame | Normal | Pré-diabetes | Diabetes Mellitus |
|---|---|---|---|
| Glicemia plasmática em jejum | < 100 | ≥ 100 e < 126 mg/dl | ≥ 126 mg/dl |
| Glicemia em qualquer horário | < 200 | - | ≥ 200 mg/dl com sintomas de hiperglicemia |
| Glicemia após 2h de sobrecarga oral de 75 g de glicose | < 140 | ≥ 140 e < 200 mg/dl | ≥ 200 mg/dl |
| Hemoglobina glicada | < 5,7% | ≥ 5,7 e < 6,5 | ≥ 6,5% |
A seguir, um resumo da conduta de diagnóstico segundo o PCDT (adaptado do Caderno de Atenção Básica, 2013).

Clique no símbolo 📎 no menu ao lado para baixar o resumo acima.
Na Diretriz da SBD, os critérios laboratoriais para diagnóstico de DM2 são os mesmos do PCDT (tabela abaixo).
| Critérios | Normal | Pré-DM | DM2 |
|---|---|---|---|
| Glicemia de jejum (mg/dl)* | < 100 | 100 a 125 | > 125 |
| Glicemia 2h após TOTG (mg/dl)** | < 140 | 140 a 199 | > 199 |
| HbA1c (%) | < 5,7 | 5,7 a 6,4 | > 6,4 |
No entanto, há diferenciação no que considerar para diagnosticar o diabetes tipo 2, como visto a seguir.
Resumo
- Fatores de riscos associados ao diabetes tipo II: Os principais fatores de risco para a doença são IMC ≥ 25 kg/m², sedentarismo, familiar em primeiro grau com diabetes, mulheres com gestação prévia de feto com ≥ 4 kg ou com diagnóstico de diabetes gestacional, hipertensão arterial sistêmica (≥ 140/90 mmHg ou uso de anti-hipertensivo), colesterol HDL ≤ 35 mg/dL e/ou triglicerídeos ≥ 250 mg/dL, mulheres com síndrome dos ovários policísticos, outras condições clínicas associadas a resistência insulínica (ex.: obesidade III, acantose nigricante) e histórico de doença cardiovascular.
- Obesidade e o DM2: A obesidade e sobrepeso podem ser definidos como um excessivo acúmulo de gordura prejudicial à saúde. Para a mensuração, é comumente utilizado o cálculo de IMC, sendo, para adultos: IMC igual ou maior que 25: sobrepeso; IMC maior ou igual a 30: obesidade. A obesidade é um fator de risco para diversas doenças não transmissíveis, como o diabetes tipo 2.
- Síndrome metabólica: Síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco que se manifestam no indivíduo e aumenta as chances de desenvolver doenças cardiovasculares, derrames e diabetes, tendo como base a resistência à ação da insulina. Para o diagnóstico da síndrome são necessários que três ou mais fatores de risco estejam presentes no paciente: grande quantidade de gordura abdominal (homens > 102 cm, mulheres > 88 cm); baixo HDL (homens < 40 mg/dL, nas mulheres < 50 mg/dL); triglicerídeos elevado (150 mg/dL ou superior); pressão sanguínea alta (135/85 mmHg ou superior ou se está utilizando algum medicamento para reduzir a pressão); glicose elevada (110 mg/dL ou superior). Apesar da maioria dos pacientes com síndrome metabólica apresentarem-se assintomáticos, eles estão em risco de desenvolvimento de outras doenças graves. O tratamento e a prevenção incluem a atividade física e a perda de peso, entretanto, pode ser necessário o uso de medicamentos para tratar esses fatores de risco citados.
- Cuidados médicos: De acordo com o Caderno de Atenção Básica do Ministério da Saúde, na consulta inicial de pacientes adultos diagnosticados com DM2, o profissional precisará identificar os fatores de risco, avaliar as condições de saúde, estratificar, se necessário, o risco cardiovascular da pessoa, e orientar para o tratamento e prevenção ou manejo das complicações crônicas. A consulta médica deverá incluir 4 aspectos fundamentais: histórico do paciente, exame físico, avaliação laboratorial e estratificação do risco cardiovascular.
- Prevenção ao diabetes tipo II: As principais formas de prevenção ao diabetes tipo 2 são a mudança no estilo de vida, o exercício físico alinhado a uma reeducação alimentar e controle da glicose no sangue, dado que os fatores de risco comportamentais mais relevantes envolvem elevada taxa de açúcar no sangue, obesidade, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool.
- Rastreamento: O rastreamento, com avaliações dos parâmetros periódicos e diagnóstico correto, é importante para a prevenção da doença, com acompanhamento e orientação médica e nutricional. O rastreamento em indivíduos assintomáticos está indicado em todos os adultos a partir dos 45 anos ou naqueles com sobrepeso (IMC ≥ 25 kg/m²) e mais um fator de risco para DM2. Se os exames estiverem normais, deve-se repetir o rastreamento a cada 3 anos.
- Critérios diagnósticos: O diagnóstico do DM2 baseia-se na detecção da hiperglicemia. Segundo o PCDT (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas - Ministério da Saúde), são quatro critérios diagnósticos para se detectar o DM no paciente: glicemia de jejum, glicemia casual, teste oral de tolerância à glicose com sobrecarga de 75 g em duas horas (TOTG) e hemoglobina glicada (HbA1c). No PCDT, a positividade de qualquer dos parâmetros confirma diagnóstico de DM. Na ausência de hiperglicemia inequívoca, é necessário confirmar o diagnóstico pela repetição de testes. Na Diretriz da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), os critérios laboratoriais para diagnóstico de DM2 são os mesmos do PCDT. No entanto, há diferenciação no que considerar para diagnosticar o diabetes tipo 2. Para a SBD, na presença de sintomas inequívocos de hiperglicemia, É RECOMENDADO que o diagnóstico seja realizado por meio de glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dl; e DEVE SER CONSIDERADO estabelecer o diagnóstico de DM na presença de glicemia de jejum ≥ 126 mg/dl e HbA1c ≥ 6,5% em uma mesma amostra de sangue.
Responda o quiz com 4 questões e veja a correção na hora.
Referências do módulo (10)
- Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 2. Nº 565. Outubro de 2020. Brasília/DF.
- World Health Organization (WHO) 2021. Obesity and overweight [Fact sheet]. Disponível em: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs311/en/
- Standards of Medical Care in Diabetes-2017: Summary of Revisions. Diabetes care. 2017;40(Suppl 1):S4-S5.
- Nguyen NT, Nguyen XMT, Lane J, Wang P. Relationship Between Obesity and Diabetes in a US Adult Population: Findings from the National Health and Nutrition Examination Survey, 1999–2006. Obes Surg. 2011;21(3):351–5.
- Expert Panel on Detection E and Treatment of High Blood Cholesterol in Adults. Executive Summary of the Third Report of the National Cholesterol Education Program (NCEP) Expert Panel on Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Cholesterol in Adults (Adult Treatment Panel III). JAMA. 16 de maio de 2001;285(19):2486–97.
- Calculadora de IMC [Internet]. Abeso. Disponível em: https://abeso.org.br/obesidade-e-sindrome-metabolica/calculadora-imc/
- Relatório 7 - Estado nutricional antropométrico [Internet]. ENANI. Disponível em: https://enani.nutricao.ufrj.br/index.php/relatorio-7-estado-nutricional-antropometrico/
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. A Síndrome Metabólica. 24 de março de 2007. Disponível em: https://www.endocrino.org.br/a-sindrome-metabolica/
- Bang H, Edwards AM, Bomback AS, Ballantyne CM, Brillon D, Callahan MA, et al. A patient self-assessment diabetes screening score: Ann Intern Med. 1º de dezembro de 2009;151(11):775–83.
- Brasil. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus In: Básica. 36, ed. Brasília: Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica; 2013:160.
Quiz · Módulo 2
Responda as questões e confira a correção na hora.
Manejo e diretrizes
Metas glicêmicas (PCDT e SBD), acompanhamento e periodicidade de exames, inércia terapêutica, tratamento não farmacológico e tratamento farmacológico do DM2 segundo o PCDT e a SBD.
METAS GLICÊMICAS
Por ser uma doença progressiva, é importante manter o controle da glicemia no diabetes do tipo 2, definindo uma meta glicêmica a ser alcançada.
PCDT
Meta terapêutica - HbA1c < 7%
As metas terapêuticas podem ser menos rígidas (HbA1c 7,5% a 8,0%), de acordo com a idade/expectativa de vida e a presença de complicações e/ou comorbidades.
A adoção de metas mais agressivas é desencorajada na maioria dos pacientes, uma vez que se observou maior risco de mortalidade com alvos de HbA1C < 6,5%.
SBD
A SBD indica metas no tratamento do diabetes por faixa etária e presença de complicações, conforme podemos ver nas tabelas abaixo.


ACOMPANHAMENTO E PERIODICIDADE
O PCDT de diabetes recomenda que ao menos 2 vezes ao ano as pessoas com DM2 devem realizar glicemia em jejum e HbA1c.
Para pacientes com mudança recente (adição de novo medicamento, aumento de dose ou troca de fármaco) de tratamento devem repetir HbA1c a cada 1 a 3 meses de acordo com recomendação de consensos e diretrizes.

INÉRCIA TERAPÊUTICA
O acompanhamento laboratorial é importante para ajudar o paciente a atingir a meta terapêutica e evitar a inércia clínica.

A seguir no módulo, apresentamos um vídeo falando com mais detalhes sobre as metas terapêuticas e a inércia clínica.
TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO
Todos os pacientes com diagnóstico de diabetes ou pré-diabetes devem ser orientados a adotar medidas de mudança de estilo de vida, com o objetivo de diminuir os efeitos daqueles fatores de risco modificáveis. Entre essas ações, temos: rearranjo dos hábitos alimentares, abandono do tabagismo, diminuição do consumo de bebidas alcoólicas, redução de peso, incentivo à atividade física e redução de estresse.
Alimentação
O paciente deve receber orientação nutricional, a qual deve incentivar o consumo de fibras, adequando o consumo de carboidratos e evitando a ingestão de alimentos ricos em gorduras trans e saturadas. Dietas devem ser prescritas apenas por profissionais habilitados, para evitar um desequilíbrio nutricional.
A Associação Americana de Diabetes (ADA, em inglês) recomenda a montagem de suas refeições baseada em porções perfeitas, com um equilíbrio saudável de vegetais, proteínas e carboidratos — sem contar, calcular, pesar ou medir —, como o exemplificado abaixo:

Atividades físicas
Adultos com diagnóstico de DM2 devem realizar, pelo menos, 150 minutos de exercícios semanalmente - distribuídos de 3 a 5 dias no período, de forma gradual, acompanhados por um profissional da área. Deve-se ter cuidado extra em casos de pacientes com complicações, para a escolha de atividades ser compatível com a condição; além da orientação sobre a possibilidade de quadros de hipoglicemia durante a prática do exercício, aconselhando o paciente a sempre carregar consigo uma fonte de glicose rápida.

Outras ações
- Cessação do tabagismo;
- Redução da ingestão de bebidas alcoólicas;
- Redução de estresse.
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TRATAMENTO FARMACOLÓGICO
Neste curso, falaremos do tratamento farmacológico para o diabetes tipo 2 baseado em duas fontes: o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, do Ministério da Saúde; e a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT)
O PCDT recomenda o seguinte fluxo de tratamento:

Clique no símbolo (ícone de download) no menu ao lado para baixar o fluxo de tratamento.
METFORMINA
Primeira opção terapêutica para o tratamento de diabetes tipo 2. É segura, possui baixa incidência de hipoglicemia e baixo custo. Sendo da classe das biguanidas, reduz a liberação hepática de glicose e aumenta a captação da mesma. Inicia-se o tratamento em doses baixas e únicas de 500 mg ou 850 mg, durante ou após as refeições (café da manhã e/ou jantar). Após 5 a 7 dias, caso não surjam efeitos adversos, a dose poderá ser aumentada para 500 mg ou 850 mg duas vezes ao dia, durante ou após as refeições (café da manhã e/ou jantar).
Caso surjam os efeitos, a dose pode ser diminuída e posteriormente, pode-se refazer a tentativa de aumentá-la. A dose máxima é 2,55 g, ou seja, 850 mg no café, almoço e jantar.
O medicamento também deve ser reduzido pela metade caso a taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) estiver entre 30 a 45 mL/min/1,73 m², e deve ser interrompido caso a TFGe estiver abaixo de 30 mL/min/1,73 m², devido ao risco de acidose lática. Além disso, os níveis de vitamina B12 devem ser avaliados todos os anos após 4 anos de início do uso do medicamento em função do risco de deficiência.
SULFONILUREIA
Indicada em associação com a metformina, para aumentar o controle glicêmico, o medicamento promove a liberação de insulina pelas células beta. A gliclazida, juntamente com a glibenclamida, está disponível no SUS, e tem preferência pelo seu menor potencial para causar hipoglicemia. A glibenclamida deve ser iniciada com a dose de 5 mg, não ultrapassando a dose máxima diária de 20 mg.
Já a gliclazida de liberação prolongada deve iniciar com a dose de 30 mg, sendo a dose máxima diária sugerida de 120 mg. Com os dois medicamentos, os comprimidos devem ser administrados em jejum ou antes da refeição. Possuem efeitos adversos de hipoglicemia e ganho de peso, e devem ser manejados corretamente pelo paciente.
As contraindicações são em caso de disfunção renal ou hepática grave. A gliclazida de liberação prolongada pode ser utilizada em caso de insuficiência renal leve à moderada, sob monitoramento.
DAPAGLIFLOZINA
O medicamento, da classe inibidores do SGLT2, disponível no SUS, é indicado em associação com a metformina e/ou a outros antidiabéticos, pois diminuem a reabsorção renal de glicose, o que aumenta a excreção de urina e ajuda a reduzir a glicemia (redução estimada da glicemia de jejum: 30 mg/dL e HbA1C: 0,5%-1,0%).
O uso reduz eventos cardiovasculares, pressão arterial, mortalidade cardiovascular, internação por insuficiência cardíaca e desfechos renais, além de uma discreta diminuição no peso e raros casos de hipoglicemia. Inicia-se o tratamento com dose de 10 mg, uma vez ao dia.
O medicamento é indicado para o tratamento de DM2 em pacientes > 65 anos, com doença cardiovascular e fora do alvo glicêmico em uso de metformina + sulfonilureia, ou apenas metformina se intolerantes (exemplo: hipoglicemias severas) a sulfonilureia. Não é recomendado para pacientes com taxa de filtração glomerular (TFG) < 25 mL/min/1,73m².
Os efeitos adversos incluem a propensão à infecção do trato geniturinário e um risco baixo de cetoacidose euglicêmica.
INSULINA
A utilização da insulina é recomendada nos pacientes com diabetes tipo 2 que estiverem com sintomas de hiperglicemia, nos casos em que houve falha no tratamento farmacológico, utilizando os antidiabéticos orais, ou casos com hiperglicemia marcada (HbA1c > 10% ou glicemia jejum ≥ 300). A insulina pode ser do tipo basal, ou seja, de ação intermediária (NPH) ou de ação longa; e do tipo prandial, ou seja, de ação rápida (regular).
De maneira inicial, a orientação é fazer o uso de insulina NPH (insulina de ação intermediária) à noite, em doses de 10U ou 0,2U/kg, ajustando-se em 2U a 4U, até alcançar o objetivo nos valores de glicemia de jejum (fazer a glicemia capilar antes do café da manhã para ajuste da dose). Caso a glicemia em jejum > 130 mg/dL, aumenta-se 2U até atingir a glicemia adequada, porém, caso a glicemia < 70 mg/dL, é necessário diminuir a dose em 4U, sendo a dose total média 0,5 a 1,5 unidades/kg/dia. A associação de insulina regular (insulina de ação rápida) à insulina basal é orientada a pacientes que precisam de uma ou mais doses de insulina prandial, junto às refeições, por dia.
Para a utilização de insulina prandial, recomenda-se iniciar com duas a quatro unidades de insulina regular 30 minutos antes da refeição principal do dia, podendo ser ajustada de acordo com os níveis glicêmicos. O efeito adverso do uso da insulina é a hipoglicemia, e, por isso, devem ser feitas recomendações ao paciente sobre o manejo. Além disso, também são necessárias orientações ao paciente para fazer a aplicação subcutânea de insulina, com uso de seringas e canetas, disponíveis no SUS.
A seguir no módulo veremos mais sobre a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes acerca do tratamento farmacológico de DM2.
Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)
Segundo a SBD, estudos mostram que reduzir a hemoglobina glicada (HbA1c) para abaixo de 7% promove a diminuição dos desfechos microvasculares (retinopatia, doença renal e neuropatia). Além disso, citando Stratton et al. (2000), a Diretriz afirma que para cada 1% de redução na HbA1c, há uma diminuição de 14% em desfechos como o infarto agudo do miocárdio e de 12% nos acidentes vasculares cerebrais fatais e não fatais (AVCs). De acordo com o estudo citado pela SBD, qualquer redução na HbA1c provavelmente reduzirá o risco de complicações, sendo o menor risco naqueles com valores de HbA1c na faixa normal.
Nesse contexto, a SBD preconiza o seguinte fluxo de tratamento:

Com relação aos tratamentos, são descritas as características mais importantes dos agentes antidiabéticos:

Clique no símbolo (ícone de download) no menu ao lado para baixar os materiais dessa página. Para ver outros pontos mais detalhados dos agentes antidiabéticos, a seguir apresentamos suas características completas, segundo a SBD.
Clique nas caixas ao lado para ver com mais detalhes os agentes antidiabéticos disponíveis no Brasil, segundo a SBD.
METFORMINA
Ação
- Aumenta sensibilidade insulínica no fígado, reduzindo a produção hepática de glicose
- Aumenta a captação muscular de glicose (ativação da AMPK)
Vantagens
- Redução estimada de glicemia de jejum 60-70 mg/dL e HbA1c 1,5-2,0%
- Potencialmente pode reduzir eventos cardiovasculares
- Previne progressão para DM2
- Melhora perfil lipídico
- Não causa ganho de peso
- Baixo custo
Efeitos adversos
- Sintomas gastrointestinais (diarreia, náusea, anorexia, gosto metálico)
- Deficiência de vitamina B12
- Acidose lática (rara)
Contraindicações
- Insuficiência respiratória grave
- Insuficiência cardíaca congestiva (classe IV)
- Doença hepática grave
- Infecção grave
- TFG < 30 mL/min/1,73 m²
GLP-1 RA
Nomes científicos
- Liraglutida
- Dulaglutida
- Semaglutida injetável
- Semaglutida oral
Ação
- Aumenta a secreção de insulina dependente de glicose
- Reduz secreção de glucagon
- Retarda o esvaziamento gástrico.
- Aumenta a saciedade.
Vantagens
- Redução estimada de glicemia de jejum: 30 mg/dL e HbA1c em 0,8-1,5%.
- Redução do peso corporal.
- Redução da variabilidade da glicose pós-prandial.
- Redução discreta da pressão arterial sistólica.
- Redução de triglicérides pós-prandiais (semaglutida oral).
- Raramente causa hipoglicemia.
- Redução de eventos cardiovasculares em pacientes com DCV aterosclerótica*
- Redução de albuminúria.
Efeitos adversos
- Náusea, vômitos e diarreia.
- Hipoglicemia, quando associado a secretagogos.
- Aumento discreto da frequência cardíaca.
- Pancreatite aguda (raro, observado apenas nos GLP-1 RA injetáveis)
Contraindicações
- Hipersensibilidade.
- Carcinoma medular de tireoide.
- Pancreatite.
- Uso simultâneo de inibidores da DPP-IV.
- TFG < 15 mL/min/1,73 m².
ISGLT2
Nomes científicos
- Dapagliflozina
- Empagliflozina
- Canagliflozina
Ação
- Inibe a absorção de glicose e sódio no túbulo proximal por meio da inibição do receptor SGLT2, levando à glicosúria e natriurese.
- Redução estimada da glicemia de jejum: 30 mg/dL e HbA1C: 0,5%-1,0%
Vantagens
- Redução de eventos cardiovasculares e mortalidade cardiovascular em pessoas com diabetes e DCV.
- Redução de internação por Insuficiência Cardíaca
- Redução de desfechos renais
- Raramente causa hipoglicemia
- Redução discreta de peso
- Redução da Pressão arterial
Efeitos adversos
- Propensão à infecção do trato geniturinário
- Risco baixo de cetoacidose euglicêmica
Limitação de uso pela função renal
- Dapagliflozina: TFG < 25 mL/min/1,73 m²
- Canagliflozina: TFG < 45 mL/min/1,73 m²
- Empagliflozina: TFG < 30 mL/min/1,73 m²
IDPP4
Nomes científicos
- Sitagliptina
- Vildagliptina
- Linagliptina
- Alogliptina
- Saxagliptina
Ação
- Aumento do nível do GLP-1, com aumento de síntese e secreção de insulina, além de redução do glucagon
Vantagens
- Redução de glicemia de jejum: 20 mg/dL e HbA1c: 0,6%-0,8%
- Aumento da massa de células beta em modelos animais
- Segurança e tolerabilidade
- Raramente causa hipoglicemia
Influência sobre o peso
- Não altera o peso.
Efeitos adversos
- Angioedema e urticária
- Probabilidade de pancreatite aguda
- Aumento das internações por IC (saxagliptina e possivelmente a alogliptina)
Contraindicações
- Hipersensibilidade aos componentes do medicamento
SULFONILUREIAS
Nomes científicos
- Gliclazida MR
- Glimepirida
- Glibenclamida
Ação
- Estimula a secreção de insulina pelas células beta pancreáticas, por meio da ligação no receptor SUR-1 (aumenta influxo de Ca → aumenta liberação de insulina)
Vantagens
- Redução de glicemia de jejum: 60-70 mg/dL e HbA1c: 1,5%-2,0%
- Redução do risco de complicações microvasculares
- Maior potência na redução da HbA1C
Efeitos adversos
- Hipoglicemia
- Ganho de peso
Contraindicações
- Taxa de Filtração Glomerular < 30 mL/min/1,73 m²
- Insuficiência hepática
- DM com deficiência grave de insulina
- Infecções graves
- Gestação
PIOGLITAZONA
Ação
- Aumento da sensibilidade à insulina em músculo, adipócito e hepatócito
Vantagens
- Redução de glicemia de jejum: 35-65 mg/dL e HbA1c 0,5%-1,4%
- Reduz resistência à insulina
- Prevenção de DM2
- Reduz o espessamento médio-intimal carotídeo
- Melhora o perfil lipídico com redução de triglicérides
- Redução da gordura hepática
- Raramente causa hipoglicemia
Efeitos adversos
- Ganho de peso
- Retenção hídrica
- Risco de insuficiência cardíaca em pacientes propensos
- Risco de fraturas em idosos
Contraindicações
- Insuficiência Cardíaca classes III e IV
- Insuficiência hepática
- Gestação
INIBIDORES DA ALFA-GLICOSIDASE
Nome científico
- Acarbose
Ação
- Inibidor da alfa glicosidase (enzima presente na borda em escova do TGI) levando ao retardo da absorção de carboidratos.
Vantagens
- Redução de glicemia de jejum: 20-30 mg/dL e HbA1c: 0,5%-0,8%
- Redução de eventos cardiovasculares
- Prevenção de DM2
- Redução do espessamento médio-intimal carotídeo
- Melhora do perfil lipídico
- Reduz peso
Efeitos adversos
- Sintomas gastrointestinais: flatulência, meteorismo, diarreia.
Contraindicações
- Doença inflamatória intestinal
- Doença intestinal associada a má absorção
- DRC grave
GLINIDAS
Nomes científicos
- Repaglinida (Prandin®, Posprand®) 0,5 a 16 mg/dia – 3x/dia
- Nateglinida
Ação
- Ligação ao receptor SUR na célula beta e provoca despolarização, levando à liberação de insulina
Vantagens
- Redução de glicemia de jejum: 20-30 mg/dL e HbA1c: 1,0%-1,5%
- Redução da variabilidade da glicose pós-prandial
- Flexibilidade de dose
Efeitos adversos
- Hipoglicemia
- Ganho de peso
Contraindicações
- Gestação
Resumo
- Metas glicêmicas: Por ser uma doença progressiva, é importante manter o controle da glicemia no diabetes do tipo 2. Segundo o PCDT, a meta terapêutica é de HbA1c < 7%. As metas terapêuticas podem ser menos rígidas de acordo com a idade/expectativa de vida e a presença de comorbidades. Já a SBD indica metas no tratamento do diabetes por faixa etária (criança/adolescente, adulto, idoso) e presença de complicações.
- Acompanhamento e periodicidade: O PCDT recomenda que ao menos 2 vezes ao ano as pessoas com DM2 devem realizar glicemia em jejum e HbA1c. Colesterol total, triglicerídeos, HDL, LDL, creatinina sérica, albuminúria e creatininúria devem ser realizados no diagnóstico, anualmente ou a critério clínico; fundoscopia, avaliação dos pés e vitamina B12, anualmente.
- Inércia terapêutica: O acompanhamento laboratorial é importante para ajudar o paciente a atingir a meta terapêutica e evitar a inércia clínica.
- Tratamento não farmacológico: Todos os pacientes com diagnóstico de diabetes ou pré-diabetes devem ser orientados a adoção de medidas de mudança de estilo de vida, com o objetivo de diminuir os efeitos daqueles fatores de risco modificáveis. Entre essas ações temos: rearranjo dos hábitos alimentares, abandono do tabagismo, diminuição do consumo de bebidas alcoólicas, redução de peso, incentivo à atividade física e redução de estresse.
- Tratamento farmacológico PCDT: De acordo com o PCDT, pacientes assintomáticos sem fatores de risco e com diagnóstico recente devem iniciar com tratamento não farmacológico baseado em mudanças de hábitos de vida com acompanhamento médico. Pacientes sintomáticos, com fatores de risco e diagnóstico prévio de DM2 iniciam o tratamento com metformina, além de medidas não farmacológicas e acompanhamento. Caso a meta terapêutica não seja atingida, sulfonilureia é adicionada ao regime. Se, ainda assim, a meta não for atingida, pacientes com > 65 anos e doença cardiovascular passam a incluir iSGLT2 ao tratamento, enquanto os demais pacientes passam a fazer uso de insulina. Pacientes que desenvolvem tolerância ao SGLT2 também podem vir a utilizar insulina.
- Tratamento farmacológico SBD: Manter a HbA1c abaixo de 7% é importante para reduzir o risco de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico (AVE) e desfechos microvasculares. Segundo a SBD, o fluxo de tratamento inicial de pacientes assintomáticos é baseado na monoterapia com metformina, sendo um segundo agente antidiabético (AD) adicionado de acordo com a magnitude de alteração nos valores de HbA1c. Pacientes sintomáticos com HbA1c > 9,0% já iniciam o tratamento com insulina. Um terceiro ou quarto AD pode ser adicionado ao regime caso a HbA1c se mantenha acima da meta após 3 meses.
Responda o quiz com 4 questões e veja a correção na hora.
Referências do módulo (12)
- Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 2. Nº 565. Outubro de 2020. Brasília/DF.
- Pititto B de A, Dias M, Lamounier RN, Calliari S, Bertoluci MC. Metas no tratamento do diabetes. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (2022) [Internet]. Sociedade Brasileira de Diabetes; 2022. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/metas-no-tratamento-do-diabetes/#ftoc-recomendacoes
- Inzucchi SE, Bergenstal RM, Buse JB, Diamant M, Ferrannini E, Nauck M, et al. Management of hyperglycemia in type 2 diabetes, 2015: a patient-centered approach: update to a position statement of the American Diabetes Association and the European Association for the Study of Diabetes. Diabetes Care. janeiro de 2015;38(1):140–9.
- Khunti K, Wolden ML, Thorsted BL, Andersen M, Davies MJ. Clinical inertia in people with type 2 diabetes: a retrospective cohort study of more than 80,000 people. Diabetes Care. novembro de 2013;36(11):3411–7.
- Zafar A, Stone MA, Davies MJ, Khunti K. Acknowledging and allocating responsibility for clinical inertia in the management of Type 2 diabetes in primary care: a qualitative study. Diabet Med J Br Diabet Assoc. março de 2015;32(3):407–13.
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2017-2018 [Internet]. Oliveira JEP de, Montenegro Junior RM, Vencio S, organizadores. São Paulo: Editora Clannad; 2017. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4925460/mod_resource/content/1/diretrizes-sbd-2017-2018.pdf
- Eating Well | ADA [Internet]. Disponível em: https://diabetes.org/healthy-living/recipes-nutrition/eating-well
- Benefits of Walking | ADA [Internet]. Disponível em: https://diabetes.org/healthy-living/fitness/benefits-walking
- Walking Plan | ADA [Internet]. Disponível em: https://diabetes.org/healthy-living/fitness/diabetes-walking-plan
- Weekly Exercise Targets | ADA [Internet]. Disponível em: https://diabetes.org/healthy-living/fitness/weekly-exercise-targets
- Tratamento farmacológico da hiperglicemia no DM2 [Internet]. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes - Ed. 2022. 2021. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/tratamento-farmacologico-da-hiperglicemia-no-dm2/
- Stratton IM, Adler AI, Neil HAW, Matthews DR, Manley SE, Cull CA, et al. Association of glycaemia with macrovascular and microvascular complications of type 2 diabetes (UKPDS 35): prospective observational study. BMJ. 12 de agosto de 2000;321(7258):405–12.
Quiz · Módulo 3
Responda as questões e confira a correção na hora.
Dapagliflozina
Dapagliflozina no DM2: eficácia glicêmica e segurança, benefícios adicionais (peso e pressão arterial) e os estudos DECLARE-TIMI 58, DAPA-HF e DAPA-CKD.
Eficácia glicêmica e segurança
Nos dias atuais, existem diversas opções terapêuticas para tratar a hiperglicemia do DM2, “com eficácia demonstrada na redução da glicemia e com segurança cardiovascular estabelecida”, conforme a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes. Além disso, “benefícios cardiovasculares e renais, especialmente os relacionados aos inibidores do SGLT2, vieram se somar ao potencial de tratamento e prevenção das complicações do diabetes tipo 2”. Entre esses fármacos, vamos falar da dapagliflozina.
A dapagliflozina (DAPA) é um antidiabético oral da classe de inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2). Este medicamento atua aumentando a excreção urinária de glicose, reduzindo os níveis plasmáticos de glicose de forma independente da insulina.
A DAPA recebe destaque pois está aprovada pela Anvisa no Brasil desde 2013, sendo, a partir de 2020, o único fármaco da sua classe disponibilizado pelo SUS para o tratamento do diabetes tipo 2.
Isso se dá porque diversos estudos apontam que a DAPA é eficaz, tanto em monoterapia quanto em terapias combinadas.
Eficácia glicêmica e segurança


A seguir, o perfil de segurança de DAPA versus placebo.

Como observado acima, não há evidência de maior risco de infecção genital, hipoglicemia importante, câncer de bexiga e infecção do trato urinário em DAPA versus placebo. Assim, e diante dos outros dados de segurança e eventos adversos, os autores puderam afirmar que dapagliflozina foi considerada segura e bem tolerada pelos pacientes do estudo.
Conforme vimos no módulo anterior, o uso da dapagliflozina, segundo o PCDT, é recomendado para pacientes com DM2, com idade igual ou superior a 65 anos, e doença cardiovascular estabelecida, que não conseguiram controle adequado em tratamento otimizado com metformina e sulfonilureia.
A seguir, veremos um vídeo sobre o mecanismo de ação da DAPA, mostrando exatamente como funciona e porque isso contribuiu para a sua incorporação no SUS e recomendação do PCDT e da Diretriz da SBD.
Benefícios adicionais
Benefícios adicionais
Resultados de estudos mostram que a dapagliflozina, além de tratar a hiperglicemia do DM2, beneficia também a perda de peso corporal e a diminuição da pressão arterial.
Perda de peso
O tratamento com DAPA isolada ou em combinação com saxagliptina mostrou associação com a redução do peso corporal do paciente, enquanto o tratamento com insulina demonstrou aumento de peso, como podemos ver no gráfico abaixo.

A perda de peso também foi verificada quando foi observada DAPA + metformina versus metformina em monoterapia. Ou seja, a terapia combinada com DAPA foi mais eficaz para a redução de peso do que a metformina isolada.

Outro estudo ainda comparou DAPA versus placebo para avaliar os efeitos na composição corporal. Foi observado que, ao longo de 102 semanas, os pacientes tratados com dapagliflozina apresentaram maiores reduções no peso, na circunferência da cintura e na massa gorda, sem aumento na taxa de hipoglicemia e sem afetar os marcadores de remodelação óssea ou densidade mineral óssea.

Estes são parâmetros essenciais para a redução da adiposidade corporal/gordura visceral, importante componente no risco de morte causada por diabetes.
Redução da pressão arterial
Outro grande benefício do uso de dapagliflozina está na redução da pressão arterial sistólica. Estudo mostrou que cerca de 37,5% dos pacientes no regime de dapagliflozina atingiram a meta de pressão arterial inferior a 130/80 mmHg na semana 24, em comparação a 8,8% dos pacientes tratados com placebo, no mesmo período.

A seguir no módulo, veremos com mais detalhes a atuação da dapagliflozina no diabetes tipo 2, bem como na insuficiência cardíaca e na doença renal crônica - condições que podem ser associadas a pacientes com DM2.
DECLARE-TIMI 58
Como vimos nos módulos anteriores, desfechos cardiovasculares (entre eles, insuficiência cardíaca) e renais são preocupantes em pacientes com diabetes tipo 2, pois são fatores de risco e representam complicações potencialmente graves.
Assim, como resultado da interseção de diabetes, doença cardiovascular aterosclerótica e insuficiência cardíaca, a importância de determinar terapias para diabetes que não sejam apenas seguras, mas também eficazes na redução do risco cardiovascular, é primordial. A dapagliflozina, indicada pela Diretriz da SBD e pelo PCDT do Ministério da Saúde, auxilia nesses casos.
DECLARE-TIMI 58
Este estudo é o maior, mais amplo e mais longo CVOT (Cardiovascular Outcome Trials, ou Ensaio de Desfechos Cardiovasculares) com inibidor da SGLT2. Nele, 17.160 pacientes com diabetes tipo 2 foram randomizados em dois grupos - dapagliflozina e placebo, tendo como desfechos primários o chamado MACE (Major Adverse Cardiovascular Events, ou Eventos Cardiovasculares Adversos Maiores), como morte cardiovascular, infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral isquêmico; e um conjunto de morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca. O acompanhamento mediano foi de 4,2 anos.
Para morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca, a dapagliflozina mostrou redução de 17% versus placebo, como vemos no gráfico abaixo.

Abaixo, podemos observar os principais resultados de eficácia e seus componentes, com destaque para morte cardiovascular/hospitalização por insuficiência cardíaca e hospitalização por insuficiência cardíaca (isolada) - redução de 27% a favor da dapagliflozina.
![Tabela e forest plot “Benefícios da dapagliflozina na redução do risco cardiovascular” (taxa/1000 pacientes/ano, dapagliflozina vs. placebo; risco relativo IC 95%): morte CV/hospitalização por IC 12,2 vs. 14,7 — 0,83 (0,73–0,95) [destacado]; MACE 22,6 vs. 24,2 — 0,93 (0,84–1,03); diminuição de 40% na TFG para <60 ml/min/m², DRT e morte renal ou cardiovascular 10,8 vs. 14,1 — 0,76 (0,67–0,87); morte por todas as causas 15,1 vs. 16,4 — 0,93 (0,82–1,04); hospitalização por IC 6,2 vs. 8,5 — 0,73 (0,61–0,88) [destacado]; infarto do miocárdio 11,7 vs. 13,2 — 0,89 (0,77–1,01); AVC isquêmico 6,9 vs. 6,8 — 1,01 (0,84–1,21); morte cardiovascular 7,0 vs. 7,1 — 0,98 (0,82–1,17); morte por outras causas 6,0 vs. 6,8 — 0,88 (0,73–1,06); diminuição de 40% na TFG, DRT e morte renal 3,7 vs. 7,0 — 0,53 (0,43–0,66). TFG: taxa de filtração glomerular; DRT: doença renal terminal.](/img/m4_declare_forest.2f5f41190c.webp)
No quesito segurança, menos pacientes no grupo dapagliflozina descontinuaram o tratamento (versus placebo), e menos pacientes em DAPA relataram evento adverso grave ou tiveram hipoglicemia importante, lesão renal aguda ou câncer de bexiga - conforme observado na figura a seguir.

Segundo os autores, em pacientes com diabetes tipo 2 que tinham ou estavam em risco de doença cardiovascular aterosclerótica.
Apesar de apresentar maior incidência, a infecção genital é um evento adverso relativamente simples, que não indica necessidade de suspensão do tratamento. Além disso, possui medidas profiláticas comuns, como higiene local e hidratação adequada.
DECLARE-TIMI 58: subanálises
DECLARE-TIMI 58: subanálises
Como falamos, este estudo é o maior, mais amplo e mais longo CVOT com inibidor da SGLT2. E além dos desfechos primários apresentados anteriormente, os pesquisadores também analisaram resultados de três subgrupos do estudo: pessoas que já tiveram infarto do miocárdio, idosos e da coorte de prevenção cardiovascular primária. Veremos esses três a seguir.
Pacientes pós-IAM (infarto do miocárdio)
Em pacientes com infarto do miocárdio prévio (n = 3.584), a DAPA reduziu o risco relativo de MACE (Major Adverse Cardiovascular Events, ou Eventos Cardiovasculares Adversos Maiores) em 16% versus placebo.
Além disso, as reduções dos riscos relativos de morte cardiovascular e hospitalização por insuficiência cardíaca foram mais semelhantes. No entanto, as reduções do risco absoluto tenderam a ser maiores a favor de DAPA: 1,9% (8,6% placebo versus 10,5% DAPA; HR, 0,81; IC 95%, 0,65-1,00; P=0,046) e 0,6% (3,9% placebo versus 4,5% DAPA; HR, 0,85; IC 95%, 0,72-1,00; P=0,055) em pacientes com e sem infarto prévio, respectivamente.
Idosos
Dos 17.160 pacientes, 7.907 tinham ≥ 65 anos de idade. Nesses pacientes, a dapagliflozina reduziu risco de morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca de forma consistente, com uma taxa de risco (HR) de 0,88 (95% CI 0,72, 1,07), 0,77 (0,63, 0,94) e 0,94 (0,65, 1,36) nas faixas etárias <65, ≥65 a <75 e ≥75 anos, respectivamente.
Já a redução do risco relativo para o desfecho composto cardiorrenal pré-especificado secundário variou de 18% a 28% nas diferentes faixas etárias sem heterogeneidade, a favor de DAPA.
No quesito segurança - incluindo fraturas, depleção de volume, câncer, infecções do trato urinário e amputações -, os resultados foram equilibrados com dapagliflozina versus placebo, e a lesão renal aguda foi reduzida, independentemente da idade.
Infecções genitais graves ou que levaram à descontinuação do medicamento em estudo e cetoacidose diabética foram incomuns, porém mais frequentes com dapagliflozina versus placebo, sem heterogeneidade.
Coorte de prevenção cardiovascular primária
Entre os pacientes com múltiplos fatores de risco (da coorte analisada), a redução do risco de morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca em DAPA foi de 16% versus placebo. Enquanto a redução no desfecho renal chegou a 49%.
Além disso, após quatro anos, HbA1c, peso, pressão arterial sistólica e relação entre albumina e creatinina urinária foram menores nos pacientes em DAPA versus placebo.
A seguir no módulo, veremos com mais detalhes a eficácia da dapagliflozina para pacientes com DM2 e/ou insuficiência cardíaca: estudo DAPA-HF.
DAPA-HF
DAPA-HF
DAPA-HF é um estudo que randomizou 4.774 pacientes com o intuito de avaliar o efeito da dapagliflozina na insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida (ICFEr) em pacientes sintomáticos. No DAPA-HF, 45% dos pacientes tinham diabetes tipo 2.
No estudo, os pacientes em DAPA apresentaram menos mortes por causas cardiovasculares, hospitalizações por insuficiência cardíaca e visita urgente ao hospital em razão de insuficiência cardíaca versus tratamento padrão/placebo, como visto no gráfico abaixo, independente de terem ou não DM2.

Além disso, outro benefício adicional relacionado à DAPA foi a redução da incidência de diabetes tipo 2 em pacientes com ICFEr sem DM2, como observado no gráfico abaixo.

No quesito segurança, a dapagliflozina foi bem tolerada em pacientes com e sem DM2. Eventos adversos raramente levaram à interrupção do tratamento. Não houve eventos de hipoglicemia maior ou cetoacidose diabética em pacientes sem DM2.

Segundo os autores, entre os pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, o risco de piora da insuficiência cardíaca ou morte por causas cardiovasculares foi menor entre aqueles que receberam dapagliflozina do que entre os que receberam placebo, independentemente da presença ou ausência de diabetes.
A dapagliflozina foi o único iSGLT2 a demonstrar redução de morte por causas cardiovasculares em ICFEr clinicamente significativa em estudos.
A seguir no módulo, veremos a eficácia da dapagliflozina em pacientes com doença renal crônica: estudo DAPA-CKD.
DAPA-CKD
DAPA-CKD
O estudo DAPA-CKD randomizou 4304 pacientes (adultos com ou sem diabetes tipo 2, que tiveram uma taxa de filtração glomerular estimada de 25 a 75 ml por minuto, por 1,73 m² de área de superfície corporal, e uma relação albumina/creatinina urinária de 200 a 5000) com o objetivo de avaliar se o tratamento com dapagliflozina, em comparação com o placebo, reduziu o risco de eventos renais e cardiovasculares em pacientes com doença renal crônica (DRC), com ou sem diabetes tipo 2 e que estão recebendo tratamento padrão.
O desfecho primário foi um composto de declínio sustentado na taxa de filtração glomerular (TFG) estimada em pelo menos 50%, doença renal em estágio final ou morte por causas renais ou cardiovasculares. Nesses quesitos, DAPA mostrou redução de risco relativo de 39% versus placebo, conforme o gráfico abaixo.

Com relação apenas aos pacientes com diabetes tipo 2, DAPA mostrou redução de risco de 36% versus placebo, como observado na figura abaixo.

Pacientes em DAPA também demonstraram menor média de mudança na TFG:

No que tange à segurança, dapagliflozina foi bem tolerada, mantendo seu perfil de segurança estabelecido:

Contraindicações, advertências e precauções
Como todo medicamento, a dapagliflozina deve ser administrada observando as particularidades de cada paciente. Por isso, há pontos que devem ser observados antes de receitar dapagliflozina.
Contraindicações
Dapagliflozina é contraindicado a pacientes com conhecida hipersensibilidade a dapagliflozina ou aos outros componentes da fórmula.
Advertências e precauções
Dapagliflozina não é indicado para o tratamento de pacientes com diabetes mellitus tipo 1.
Fasciíte necrosante do períneo (Gangrena de Fournier)
Casos raros de fasciíte necrosante ou gangrena de Fournier foram relatados no período pós-comercialização. Se ocorrerem sintomas, deve-se interromper imediatamente o uso do medicamento.
Gravidez
Dapagliflozina não deve ser usado no segundo e terceiro trimestres de gravidez. Não existem estudos adequados e bem controlados de dapagliflozina em mulheres grávidas. Quando a gravidez for detectada, o uso de dapagliflozina deve ser descontinuado.
Lactação
Dapagliflozina não deve ser utilizado em mulheres que estejam amamentando. Não se sabe se dapagliflozina e/ou seus metabólitos são excretados no leite humano.
Interações medicamentosas
Não foram relatados efeitos de outras drogas sobre a dapagliflozina.
O uso concomitante de dapagliflozina e lítio pode levar a uma redução nas concentrações séricas de lítio devido a um possível aumento da depuração urinária de lítio. A dose de lítio pode precisar de ajuste.
Reações adversas
No geral, o perfil de segurança da dapagliflozina foi consistente através das indicações estudadas.
Reações de frequência “comum” no tratamento com a dapagliflozina foram: Infecção genital, infecção no trato urinário, dor nas costas, polaciúria e poliúria.
A cetoacidose diabética é uma reação adversa de frequência classificada como “rara” no tratamento com a dapagliflozina.
Reações de frequência “Desconhecida” no tratamento com a dapagliflozina foram: Erupção cutânea e Fasciíte necrosante do períneo (Gangrena de Fournier).
Resumo
- Dapagliflozina - indicações (DM2): Monoterapia: DAPA é indicada como adjuvante à dieta e exercícios para melhora do controle glicêmico em pacientes com diabetes mellitus tipo 2. Combinação: DAPA é indicada em pacientes com diabetes mellitus tipo 2, para melhora do controle glicêmico, em combinação com metformina; uma tiazolidinediona; uma sulfonilureia; um inibidor da DPP4 (com ou sem metformina); metformina e uma sulfonilureia, ou insulina (isolada ou com até duas medicações antidiabéticas orais), quando a terapia existente juntamente com dieta e exercícios não proporciona controle glicêmico adequado.
- Dapagliflozina - indicações (insuficiência cardíaca): DAPA é indicada para o tratamento de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida em pacientes adultos.
- Dapagliflozina - indicações (doença renal crônica): DAPA é indicada para o tratamento de doença renal crônica em pacientes adultos.
- Dapagliflozina - eficácia glicêmica e segurança: A dapagliflozina (DAPA) é um antidiabético oral da classe de inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2), o qual aumenta a excreção urinária de glicose e reduz os níveis plasmáticos de glicose de forma independente da insulina. É o único fármaco da sua classe disponibilizado pelo SUS para o tratamento do diabetes tipo 2. Em monoterapia e em combinação com outras terapias, a DAPA mostra eficácia glicêmica superior (versus placebo) e mais adesão ao tratamento - de forma segura.
- Dapagliflozina - benefícios adicionais: Além de tratar a hiperglicemia do DM2, a dapagliflozina auxilia na perda de peso corporal e na diminuição da pressão arterial, sendo, também, mais eficaz para a redução de peso do que a metformina isolada. Em estudo, os pacientes tratados com DAPA apresentaram maiores reduções no peso, na circunferência da cintura e na massa gorda, sem aumento na taxa de hipoglicemia e sem afetar os marcadores de remodelação óssea ou densidade mineral óssea.
- Dapagliflozina - DECLARE-TIMI 58/desfechos cardiovasculares: Neste estudo, foi observado que o tratamento com a dapagliflozina resultou em uma menor taxa de morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca (redução de 17% versus placebo). No quesito segurança, menos pacientes no grupo dapagliflozina descontinuaram o tratamento e/ou relataram evento adverso grave ou tiveram hipoglicemia importante, lesão renal aguda ou câncer de bexiga.
- Dapagliflozina - DAPA-HF/insuficiência cardíaca: Pacientes em DAPA com insuficiência cardíaca apresentaram, neste estudo, menos mortes por causas cardiovasculares, hospitalizações por insuficiência cardíaca e visita urgente ao hospital (risco 26% menor versus placebo). Além disso, a DAPA apresentou redução da incidência de diabetes tipo 2 em pacientes com insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida (ICFEr) sem DM2 (risco 32% menor). No quesito segurança, a dapagliflozina foi bem tolerada em pacientes com e sem DM2.
- Dapagliflozina - DAPA-CKD/doença renal crônica: No estudo DAPA-CKD, com relação apenas aos pacientes com diabetes tipo 2, dapagliflozina mostrou redução de risco de 36% versus placebo. Ademais, pacientes em DAPA demonstraram menor média de mudança na TFG. No que tange à segurança, dapagliflozina foi bem tolerada, mantendo seu perfil de segurança estabelecido.
Responda o quiz com 5 questões e veja a correção na hora.
Referências do módulo (20)
- Bula dapagliflozina.
- Tratamento farmacológico da hiperglicemia no DM2 [Internet]. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes - Ed. 2022. 2021. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/tratamento-farmacologico-da-hiperglicemia-no-dm2/
- Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 2. Nº 565. Outubro de 2020. Brasília/DF.
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Quiz · Módulo 4
Responda as questões e confira a correção na hora.
Complicações e encaminhamento
Complicações cardiorrenais (risco cardiovascular, hipertensão, dislipidemia e doença renal), pé diabético, retinopatia, neuropatia, paciente idoso, vacinas e encaminhamentos.
Risco cardiovascular
Como vimos anteriormente no curso, o diabetes sozinho não possui sintomas. No entanto, as complicações causadas pela falta de controle da doença podem comprometer a vida do paciente. Segundo o Ministério da Saúde, o DM não controlado pode provocar, a longo prazo, "disfunção e falência de vários órgãos, especialmente rins, olhos, nervos, coração e vasos sanguíneos".
Por isso, o Módulo 5 do Diabetes Mais será dedicado às complicações do diabetes tipo 2. Começaremos pelas mais sérias: as complicações cardiorrenais.
Risco cardiovascular
Conforme a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), pessoas com diabetes são consideradas de alto risco cardiovascular, "mesmo na fase de pré-hipertensão, independentemente da presença de fatores de risco, lesões de órgão-alvo, doença renal do diabetes (DRD) estágio 3 ou doença cardiovascular (DCV)."
A SBD recomenda a estratificação do risco cardiovascular de pessoas com diabetes baseada na idade e na presença de fatores de risco. Assim, dividindo em:
- Risco baixo e intermediário
- Risco alto
- Risco muito alto

Sobre os estratificadores, a SBD os divide em estratificadores de alto risco (EAR) e estratificadores de muito alto risco (EMAR), conforme a figura a seguir.

Hipertensão Arterial (HA)
Hipertensão Arterial (HA)
A hipertensão arterial é uma doença crônica multifatorial, caracterizada por elevação persistente da pressão arterial sistólica (PAS) maior ou igual a 140 mmHg e/ou da pressão arterial diastólica (PAD) maior ou igual a 90 mmHg, conforme visto na tabela abaixo.

Como vimos, pessoas com diabetes têm risco cardiovascular aumentado, assim, elas possuem metas pressóricas e recomendações específicas para início de tratamento da HA.

Na figura a seguir, vemos um fluxograma decisório para a escolha de fármacos no tratamento da HA em pacientes com DM, o qual foi preconizado pela SBD.
![Fluxograma "Pessoas com diabetes e hipertensão arterial". Implementar medidas de estilo de vida em todos. PA inicial no consultório 140/90 a < 160/100 mmHg: iniciar monoterapia; se albuminúria > 30 mg/g ou DAC: iniciar IECA ou BRA; se não: iniciar IECA ou BRA ou BCC ou DTZ. PA inicial ≥ 160/100 mmHg: iniciar terapia dupla; se albuminúria > 30 mg/g ou DAC: iniciar um IECA ou BRA + BCC ou DTZ; se não: iniciar quaisquer 2 dos 3 — [IECA ou BRA], BCC ou DTZ. Depois, avaliar pressão arterial e efeitos adversos: meta atingida → manter tratamento; meta não atingida ou efeitos adversos → adicionar IECA ou BRA ou BCC ou DTZ e observar PA e efeitos adversos; meta atingida → manter tratamento; meta não atingida → considerar antagonistas do receptor mineralocorticoide. *Não combinar IECA + BRA. DAC: doença arterial coronariana; IECA: inibidores da enzima conversora da angiotensina; BRA: bloqueadores do receptor da angiotensina II; BCC: bloqueadores dos canais de cálcio; DTZ: diurético tiazídico.](/img/m5_fluxograma_ha.dd20e680fe.webp)
Dislipidemia
Dislipidemia
A dislipidemia é um dos principais fatores de risco para doença cardiovascular no diabetes mellitus. As características da chamada dislipidemia diabética são a alta concentração plasmática de triglicerídeos, baixa concentração de colesterol HDL e aumento do colesterol LDL.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), de início, deve-se focar no uso de estatinas, "pois detêm o maior corpo de evidências de benefício cardiovascular". Da mesma forma, considerando a resposta heterogênea em relação às estatinas, o uso de metas de colesterol é recomendado pela SBD em função de propiciar maior adesão e controle de qualidade do tratamento.

Manejo por risco (conforme Diretriz da SBD)
- Risco muito alto: em pessoas com DM e RISCO MUITO ALTO, É RECOMENDADO o uso de estatinas de alta potência, independentemente do nível de LDL colesterol inicial, com o objetivo de buscar a meta de LDL colesterol < 50 mg/dl ou colesterol não-HDL < 80 mg/dL; Em pessoas com DM e RISCO MUITO ALTO recebendo estatinas de alta potência nas doses máximas toleradas, se não forem atingidas as metas de LDL-c < 50 mg/dL ou de colesterol não-HDL < 80 mg/dL, a adição de ezetimiba DEVE SER CONSIDERADA.
- Risco alto: em pessoas com DM e RISCO ALTO, É RECOMENDADO o uso de estatinas de alta potência com o objetivo de reduzir e manter o LDL colesterol abaixo de 70 mg/dL ou o colesterol não-HDL abaixo de 100 mg/dL; Em pessoas com DM e RISCO ALTO, recebendo estatinas em doses máximas toleradas, que não atingiram a meta de LDL-c < 70 mg/dL ou de colesterol não-HDL < 100 mg/dL, a associação de estatina com outro agente hipolipemiante DEVE SER CONSIDERADA.
- Risco intermediário: em pessoas com DM e RISCO INTERMEDIÁRIO, É RECOMENDADO iniciar uma estatina, independentemente do nível de colesterol inicial. Em pessoas com DM e RISCO INTERMEDIÁRIO, É RECOMENDADO atingir a meta de LDL-c menor que 100 mg/dL ou de colesterol não-HDL menor que 130 mg/dL com o uso de qualquer estatina.
- Risco baixo: em adultos com DM e RISCO BAIXO, estatinas DEVEM SER CONSIDERADAS para redução do risco cardiovascular no longo prazo, buscando a meta de LDL < 100 mg/dL ou de colesterol não-HDL < 130 mg/dL.
- Hipercolesterolemia familiar: É RECOMENDADO que adultos com diabetes e LDL-c acima de 190 mg/dL, com hipercolesterolemia familiar confirmada, mesmo em prevenção primária, sejam considerados de MUITO ALTO RISCO e tratados com estatinas de alta potência.
Doença renal do diabetes (DRD)
Doença renal do diabetes (DRD)
Conforme a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a doença renal do diabetes é a principal causa de ingresso em terapia renal substitutiva e está associada ao aumento de morbidade e mortalidade.
A entidade, em sua Diretriz oficial, aponta o estadiamento proposto pela KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes - Doença renal: melhorando os desfechos globais) para a DRD, "que combina estágios de perda de função renal baseados na TFG e na excreção urinária de albumina (EUA), utilizando os dois parâmetros de forma complementar", conforme figura a seguir.

A figura a seguir mostra a proposta da SBD para manejo da hiperglicemia na DRD leve a moderada.
![Fluxograma "Doença renal do diabetes leve a moderada" (TFG 30-60 mL/min/1,73m² ou TFG 30-90 mL/min/1,73m² e albuminúria): Terapia dupla — inibidor do SGLT2 + metformina (ou outros AD); se HbA1c acima da meta, terapia tripla — inibidor do SGLT2 + metformina + GLP-1 RA (ou outros AD); se HbA1c acima da meta, terapia quádrupla — inibidor do SGLT2 + metformina + [GLP-1 RA ou AD] + [2º AD* ou insulina]. AD: antidiabéticos. *Evitar uso de inibidores da DPP-4 quando em uso de GLP-1 RA.](/img/m5_drd_leve_moderada.7235b67b1a.webp)
Já na figura abaixo, temos o que diz a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes para o manejo da hiperglicemia na doença renal do diabetes severa, com TFG < 30 mL/min/1,73m².

PÉ DIABÉTICO
O que é?
O chamado "pé diabético" está entre as complicações mais graves do diabetes mellitus. Nesses casos, são comuns infecções e feridas nos pés que não cicatrizam, as chamadas úlceras. Isso tudo acontece porque a sensibilidade do paciente é alterada em função das altas taxas glicêmicas que afetam seus nervos. Logo, são recorrentes os traumas e ferimentos, sem que o paciente ao menos perceba.
Por isso, é fundamental estar sempre atento aos sinais, tratar da maneira recomendada e tomar os cuidados necessários para evitar o desenvolvimento do pé diabético.
Como diagnosticar?
O diagnóstico da infecção deve ser feito por meio da presença de pelo menos dois sinais de inflamação, sejam eles: vermelhidão, calor, endurecimento, dor ou sensibilidade. Esses sinais podem ser atenuados por neuropatia ou isquemia.
A infecção se refere a qualquer parte do pé, não apenas de uma ferida ou úlcera, sendo categorizada conforme quadro abaixo:

Se não for tratada adequadamente, a infecção pode se disseminar para tecidos próximos, incluindo os ossos, caracterizando, então, a osteomielite.
Sendo assim, deve-se encaminhar o paciente ao angiologista/cirurgião vascular, segundo o Ministério da Saúde, caso:
- Úlcera isquêmica ou neuroisquêmica (mista);
- Úlcera sem resposta ao tratamento após quatro semanas;
- Úlcera com necrose ou gangrena.
Porém, se o caso estiver entre os citados a seguir, a recomendação do Ministério da Saúde é o encaminhamento com urgência para internação hospitalar:
- Úlcera profunda com suspeita de comprometimento ósseo ou de articulação;
- Febre ou condições sistêmicas desfavoráveis;
- Celulite (> 2 cm ao redor da úlcera);
- Isquemia crítica;
- Quando a pessoa não tem condições de realizar tratamento domiciliar adequado.
RETINOPATIA
A retinopatia diabética é uma complicação microvascular característica do diabetes mellitus, estando entre as principais causas de perda de visão em pessoas entre 20 e 75 anos. Após 20 anos do diagnóstico, mais de 70% dos indivíduos com DM2 apresentam alguma forma de retinopatia. No Brasil, é estimado que haja uma prevalência de 2 milhões de casos.
A progressão da doença está relacionada ao descontrole glicêmico. O aumento de glicose no sangue pode levar a lesões nos pequenos vasos sanguíneos da retina, como hemorragia, descolamento de retina e até mesmo cegueira, como podemos observar na figura abaixo:

O que diz a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes:
Segundo a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, a retinopatia diabética está associada a outras complicações do diabetes, e sua gravidade está ligada a um maior risco de desenvolvimento de complicações micro e macrovasculares.
Conforme a SBD, o diagnóstico aumenta a probabilidade de doença renal, acidente vascular cerebral e doença cardiovascular (conforme falamos anteriormente). A retinopatia diabética proliferativa é preditora para doença arterial periférica, aumentando o risco de ulceração e de amputação dos membros inferiores (como observamos no módulo do pé diabético).
"Diagnóstico e tratamento precoces melhoram o prognóstico da retinopatia, reduzindo o risco de dano visual irreversível. O atraso no diagnóstico e o surgimento das formas graves constituem a principal causa de perda visual evitável na população economicamente ativa."
Assim, a SBD recomenda realizar avaliação oftalmológica inicial com as pupilas dilatadas, contando ao menos com exame de retinografia ou mapeamento de retina, além da biomicroscopia de fundo para rastreamento e encaminhamento de casos suspeitos e pacientes com DM2.
NEUROPATIA DIABÉTICA
A neuropatia é a complicação crônica mais comum e mais incapacitante do diabetes, afetando mais de 50% dos pacientes, sendo responsável por cerca de dois terços das amputações não-traumáticas. A neuropatia diabética pode se manifestar de diferentes formas clínicas, afetando o sistema nervoso periférico sensitivo, o motor e o autonômico, de maneira aguda ou crônica, na condição reversível ou irreversível, manifestando-se silenciosamente ou com quadros sintomáticos graves.
De acordo com a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, todos os pacientes devem ser examinados para neuropatia periférica diabética no momento do diagnóstico de DM2.
Controle inadequado da glicose, nível elevado de triglicérides, excesso de peso, tabagismo, pressão alta, tempo de diabetes e a presença de retinopatia e nefropatia são fatores que favorecem a progressão da neuropatia.
A seguir no módulo veremos com mais detalhes as neuropatias sensitivo-motoras, as autonômicas e as focais.

Neuropatias autonômicas (conteúdo de cada ícone):
- Coração (cardiovascular): Resposta anormal da frequência cardíaca a diferentes estímulos, com arritmias ou isquemia silenciosa, configurando uma maior mortalidade cardiovascular.
- Coluna (hipotensão postural): É comum, com sintomas de náuseas, astenia, tonturas, alterações visuais e síncope ao se levantar, sendo que diuréticos, vasodilatadores e fenotiazinas salientam os sintomas, e não há tratamento. O diagnóstico é feito quando existe uma redução da pressão sistólica menor ou igual a 20 mmHg e/ou da diastólica menor ou igual a 10 mmHg três minutos após a mudança da posição deitada para de pé.
- Gotas (sudomotora): Anidrose plantar, com pele seca, fissuras e hiperqueratose nos pés, úlceras neuropáticas.
- Intestino (gastrointestinal): O sintoma mais comum é a alteração do hábito intestinal, sendo as formas mais graves a gastroparesia e a enteropatia. Com o diagnóstico por exclusão, o tratamento é sintomático.
- Olho (pupilar): Hemeralopia ou dificuldade para visão noturna.
- Sistema geniturinário: Caracteriza-se por retenção, incontinência e infecções urinárias. É recomendada a orientação sobre manobras regulares de esvaziamento completo da bexiga de maneira mecânica. Sintomas envolvem impotência e a ejaculação retrógrada, também dispareunia e redução da libido.
PACIENTE IDOSO
O diabetes é uma doença delicada, que pode trazer várias complicações aos pacientes, em especial àqueles com idade avançada. Nessa fase, são mais altas as taxas de morte prematura; incapacidade funcional; perda muscular acelerada; e de doenças coexistentes, como hipertensão, doença cardiovascular e acidente vascular cerebral.
Além disso, pela questão natural da idade, os idosos necessitam de cuidados específicos. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a terapia de cada paciente deve ser individualizada, de acordo com o seu estado funcional.
"O rigor do controle pode ser maior entre aqueles com menor fragilidade e independência, pois na população idosa existe uma curva em U, com o menor risco de complicações quando a HbA1c está em torno de 7,5% a 8,0%, ocorrendo claro aumento nos riscos quando a HbA1c é menor que 6,0% e maior que 9,0%", conforme visto na tabela abaixo (baseada na SBD e na Associação Americana de Diabetes - ADA):

Segundo a SBD, outros fatores estão associados à idade avançada e ao diabetes, os quais exigem um olhar específico:
- Depressão;
- Dislipidemia;
- Hipertensão arterial sistêmica.
Clique no símbolo clipe no menu ao lado para baixar o quadro de recomendação.
VACINAS
A vacinação exerce um papel fundamental na sociedade como um todo, de maneira a evitar surtos e casos graves de diversas doenças. E é sabido que pessoas portadoras de doenças crônicas – caso do diabetes mellitus tipo 2 – estão mais propensas a desenvolver formas graves e ter complicações decorrentes dessas enfermidades. Assim, sua imunização é de extrema importância.
Para se ter uma ideia do significado disso, estudo apontou que pacientes com diabetes descompensado são mais propensos a desenvolver complicações graves da covid-19. Os dados indicam que o risco de hospitalização e doença grave é de três a quatro vezes maior quando comparado à população geral.
Dessa forma, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomendam a vacinação de pessoas com comorbidades (caso do diabetes tipo 2) para inúmeras doenças, como influenza, herpes zóster, hepatite B, entre outras – vide quadro mais abaixo.
Além disso, segundo a SBIm:
- A presença de doenças crônicas, na ausência de imunossupressão, não contraindica a aplicação de vacinas vivas atenuadas ou inativadas. As contraindicações formais, nessa situação, são as mesmas da população em geral: anafilaxia a um dos componentes da vacina ou ocorrida após dose anterior;
- Aplicações concomitantes devem ser recomendadas e não aumentam o risco de eventos adversos.
Confira abaixo o calendário de vacinação SBIm para pacientes com diabetes:

Clique no símbolo clipe no menu ao lado para baixar o calendário de vacinação de pessoas com DM2.
ENCAMINHAMENTOS
Como vimos neste módulo, a depender da condição do paciente, este deve ser encaminhado a um profissional da saúde especializado. Veja abaixo a figura para mais detalhes.


Clique no símbolo clipe no menu ao lado para baixar a figura.
Resumo
- Complicações Cardiorrenais - Risco cardiovascular: O diabetes tipo 2 está relacionado ao aumento de morbimortalidade cardiovascular. Pacientes DM2 têm a incidência de doença cardiovascular e de acidente vascular isquêmico aumentada em duas vezes a quatro vezes, e a mortalidade aumentada em 1,5 vez a 3,6 vezes. O DM2 também aumenta o risco de insuficiência cardíaca, doença arterial periférica e complicações microvasculares. A SBD recomenda categorizar o risco cardiovascular dos pacientes em grupos, de acordo com a idade e presença de fatores de risco.
- Complicações Cardiorrenais - Hipertensão arterial (HA): Pacientes com diabetes têm risco cardiovascular aumentado, logo, possuem metas pressóricas e recomendações específicas para início de tratamento da HA. A escolha de fármacos para o tratamento da hipertensão arterial em pacientes com DM vai depender da pressão arterial inicial aferida no consultório, do valor da albuminúria e da presença de doença arterial coronariana.
- Complicações Cardiorrenais - Dislipidemia: As características da dislipidemia diabética são alta concentração plasmática de triglicerídeos, baixa concentração de colesterol HDL e aumento do colesterol LDL. O uso de metas de colesterol é recomendado pela SBD e o tratamento para esta complicação é com o uso de estatinas de moderada potência ou de alta potência. A escolha é feita de acordo com a categoria de risco de cada paciente, o qual pode ser baixo, moderado, alto ou muito alto.
- Complicações Cardiorrenais - Doença renal: Entre os fatores de risco de progressão da doença estão o mal controle glicêmico e a presença de hipertensão arterial. Se não tratada, a doença tende a ter um curso progressivo, levando à piora da função renal e até mesmo à terapia renal substitutiva, o que a torna a principal causa de ingresso nesse tipo de tratamento. A categoria de risco do paciente é definida pela combinação de TFG e excreção urinária de albumina. A terapêutica da DRD leve a moderada é feita com inibidor do SGLT2, em combinação com outros fármacos. Já a DRD grave disponibiliza opções para um melhor manejo.
- Pé diabético: Uma das complicações mais graves do DM, o pé diabético, apresenta-se com infecções e feridas que não cicatrizam, as úlceras. Isso porque a sensibilidade do paciente é alterada em função das altas taxas glicêmicas que afetam seus nervos, fazendo com que ele não perceba os ferimentos. Se não for tratada adequadamente, a infecção pode se disseminar para tecidos próximos, por isso, a necessidade de encaminhamento adequado o mais cedo possível.
- Retinopatia: A retinopatia diabética é uma complicação microvascular característica do DM que atinge mais de 70% dos indivíduos com DM2, após 20 anos de diagnóstico, causando lesões nos pequenos vasos sanguíneos da retina. Esta complicação aumenta a probabilidade de doença renal, acidente vascular cerebral e doença cardiovascular. Diagnóstico e tratamento precoces melhoram o prognóstico da retinopatia, reduzindo o risco de dano visual irreversível, por isso a importância de realizar uma avaliação oftalmológica em pacientes com diabetes.
- Neuropatia Diabética: É a complicação crônica mais comum e mais incapacitante do diabetes, afetando mais de 50% dos pacientes e sendo responsável por cerca de dois terços das amputações não-traumáticas. A neuropatia diabética se apresenta de diferentes formas clínicas, acomete o sistema nervoso periférico e pode levar a complicações reversíveis ou irreversíveis. Ainda, pode ser classificada como sensitivo-motora, autonômica ou focal. De acordo com a Diretriz da SBD, todos os pacientes devem ser examinados para neuropatia periférica diabética no momento do diagnóstico de DM2.
- Paciente idoso: Pacientes idosos apresentam maiores taxas de morte prematura, incapacidade funcional e perda muscular acelerada, além de doenças coexistentes como hipertensão, doença cardiovascular e acidente vascular cerebral. Tais características fazem com que esses pacientes necessitem de cuidados específicos e terapia individualizada.
- Vacina em pacientes com DM2: Pacientes idosos apresentam maiores taxas de morte prematura, incapacidade funcional e perda muscular acelerada, além de doenças coexistentes como hipertensão, doença cardiovascular e acidente vascular cerebral. Tais características fazem com que esses pacientes necessitem de cuidados específicos e terapia individualizada.
- Encaminhamentos: Quando necessário, o paciente deve ser encaminhado a um serviço de saúde especializado na complicação em questão. São profissionais indicados: cardiologista, cirurgião cardiovascular, endocrinologista, ginecologista, nefrologista, oftalmologista, nutricionista, psiquiatra ou psicólogo e dentista.
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Referências do módulo (24)
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- Manejo do risco cardiovascular: dislipidemia [Internet]. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes - Ed. 2022. 2021. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/manejo-do-risco-cardiovascular-dislipidemia/
- Mooradian AD. Dyslipidemia in type 2 diabetes mellitus. Nat Rev Endocrinol. março de 2009;5(3):150-9.
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- Diretrizes do IWGDF sobre a prevenção e o tratamento de pé diabético. Lipsky BA. Nicolaas C. Schaper (presidente), Jaap J. van Netten (secretário), Jan Apelqvist, Sicco A. Bus, Robert J. 2019;221.
- Alves B. Pé diabético | Biblioteca Virtual em Saúde MS [Internet]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/pe-diabetico-3/
- Infecção no pé diabético [Internet]. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes - Ed. 2022. 2021. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/infeccao-no-pe-diabetico/
- Portal da Secretaria de Atenção Primária a Saúde [Internet]. APS. Disponível em: http://aps.saude.gov.br/
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Quiz · Módulo 5
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Os módulos práticos trazem casos clínicos simulados para você ajudar a diagnosticar e tratar.
Este conteúdo está em preparação e entra em breve. Enquanto isso, os cinco módulos teóricos já estão disponíveis.